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O que “O Diabo Veste Prada” nos ensina sobre comunicação corporativa

“O Diabo Veste Prada” (2006), protagonizado por Meryl Streep e Anne Hathaway, virou referência pop em liderança tóxica, choque de cultura e vida corporativa. Mas além do drama fashion, o filme é quase um estudo de caso sobre comunicação corporativa.

Do “isso é tudo” seco de Miranda Priestly às instruções vagas, indiretas e carregadas de subtexto, o filme mostra um ambiente onde ninguém sabe direito o que é prioritário e o medo substitui o diálogo.





Neste artigo, vamos usar “O Diabo Veste Prada” como lente para analisar 3 lições de comunicação corporativa, com aplicações práticas e referências para aprofundar o tema.

Para contexto: informações sobre o filme podem ser conferidas em IMDb.






1. Comunicação ambígua cria um ambiente de medo (e retrabalho)

Uma das marcas de Miranda Priestly é a ambiguidade: pedidos feitos pela metade, expectativas não verbalizadas e reações geladas que ninguém sabe interpretar.







O que acontece no filme

  • Miranda pede algo como “eu quero isso resolvido” sem explicar claramente o que é “isso”.
  • Andy recebe tarefas sem contexto, com prazos irreais e sem espaço para tirar dúvidas.
  • O time trabalha tentando adivinhar “o que Miranda quer”, em vez de trabalhar com objetivos claros.










O que isso revela sobre comunicação corporativa

Ambiguidade em comunicação interna gera:

  • Retrabalho constante (“não era isso que eu queria”)
  • Cultura de medo (“melhor nem perguntar”)
  • Falta de conexão (as pessoas param de se comprometer com o resultado e passam a só “sobreviver”)

















Isso se conecta diretamente ao conceito de segurança psicológica, trabalhado por Amy Edmondson, pesquisadora de Harvard. Times com baixa segurança psicológica têm medo de perguntar, errar ou discordar, o que impacta inovação e desempenho. Você pode ver um resumo desse conceito na TED Talk de Amy Edmondson.












Na prática ✍️

Trabalhe com mensagens “à prova de dúvida”, sempre garantindo que as informações abaixo estejam claras:

o   O quê?

o   Para quem?

o   Por quê? (contexto)

o   Como fazer? (passo a passo)

o   Até quando? (prazo claro















2. Feedback não é humilhação: o impacto do estilo “Miranda Priestly”

Miranda raramente oferece feedback estruturado. O que existe é crítica velada, ironia e humilhação pública. Isso pode funcionar na dramaturgia, mas destrói qualquer cultura saudável.







O que acontece no filme

  • Comentários passivo-agressivos sobre a aparência de Andy.
  • Correções feitas na frente de todos, com tom de desprezo.
  • Ausência de reconhecimento: quando algo dá certo, é “apenas o mínimo esperado”.










O que isso revela sobre cultura e liderança

Esse estilo de comunicação:

  • Gera medo de errar, e portanto medo de inovar.
  • Incentiva um modelo de liderança baseado em poder e escassez, não em desenvolvimento.
  • Normaliza microagressões e pode reforçar assédio moral.














Na prática ✍️

  • Treine líderes para dar feedback de forma estruturada
    • Descrição da situação
    • Comportamento específico
    • Impacto gerado
    • Alinhamento de expectativa + apoio





  • Incorpore feedback como parte da comunicação interna
    • Campanhas sobre “como pedir e dar feedback”
    • Materiais curtos em vídeo ou cards internos sobre boas práticas.






  • Crie canais seguros para denúncia e suporte
    RH e Compliance precisam comunicar claramente como agir em casos de abuso de poder ou assédio, garantindo confidencialidade e processos transparentes.









3. Bastidores importam: o poder (e o risco) da comunicação informal

Em “O Diabo Veste Prada”, muita coisa acontece nos corredores, no elevador, nos cochichos entre colegas. Nigel (Stanley Tucci) é quase um “líder informal de comunicação”, traduzindo Miranda e a cultura da Runway para Andy.








O que acontece no filme

  • Andy entende o que é considerado “aceitável” ou “imperdoável” mais pelas conversas com Nigel e Emily do que por qualquer documento oficial.
  • As “regras do jogo” não estão escritas em lugar nenhum, mas todos atuam como se estivessem.
  • A cultura real é transmitida pelo que é tolerado, não pelo que é dito.









O que isso revela sobre comunicação corporativa

Toda empresa tem dois níveis de comunicação:

  1. Oficial – comunicados, políticas, manuais, campanhas internas.
  2. Oficiosa – o “rádio-peão”, grupos de WhatsApp, conversas no café, leitura dos comportamentos da liderança.






Quando a comunicação oficial é  lenta ou desconectada da realidade, a versão oficiosa domina:

  • Espalham-se boatos e narrativas paralelas.
  • A confiança na comunicação institucional cai.
  • A empresa perde controle sobre a mensagem.











Na prática ✍️

  • Não deixe vácuos de informação
    Quando há mudança, crise ou decisão sensível, comunique cedo e com transparência razoável. “Ainda não sabemos tudo, mas aqui está o que já sabemos e o que vamos comunicar na sequência”.
  • Mapeie e envolva influenciadores internos
    Pessoas como Nigel existem em toda empresa: são escutadas, opinativas e informais. Traga-as para perto como aliadas de comunicação, em grupos-piloto, comitês de embaixadores ou programas de “champions”.
  • Mensure a confiança na comunicação interna
    Use pesquisas pulse, enquetes internas e grupos focais para entender se as pessoas acreditam no que é comunicado oficialmente.




















“O Diabo Veste Prada” exagera em muitos aspectos, mas é justamente esse exagero que escancara dilemas reais da comunicação corporativa. A ficção não precisa virar realidade, e a comunicação é uma das alavancas mais poderosas para evitar isso.

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Sobre a Tibox

A TiBox é uma empresa de tecnologia fundada em 2010, com sedes em São Paulo e Florianópolis, especializada em comunicação interna digital. Seu principal produto é o Allert, uma plataforma que transforma dispositivos em canais de comunicação segmentada e programada. A equipe é multidisciplinar e atende grandes empresas.

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